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O Café com Serifa chega à sexta edição neste sábado, 26/8, para reunir novamente a comunidade de criadores de letras. É um evento bimestral aberto à troca de ideias, apresentação de projetos e conversas entre calígrafos, type designers, letristas e curiosos. O encontro ocorre pela segunda vez no Tralharia, mistura de antiquário, café e cervejaria que virou referência cultural no centro de Florianópolis. 

Designer Genilda Araujo assina cartaz desta edição com trabalho de caligrafia

O cartaz desta edição é assinado pela designer e professora Genilda Araujo, que também é calígrafa. Ela escreveu o título e o fundo em dois estilos de letras góticas e os digitalizou para fazer a composição que está no cartaz. Um exemplar impresso em fine art será sorteado no Café. 

O encontro regional Santa Tipografia, que ocorre em outubro em Florianópolis, também está na pauta. Os organizadores vão falar sobre as palestras e os debates que vão trazer profissionais dos três estados do sul. O bate-papo continua com os detalhes da programação e do material gráfico, impresso em tipografia, digital e offset. A presença dos organizadores no sábado não é por acaso – o Café com Serifa foi palco das primeiras conversas que viabilizaram o Santa Tipografia. 

Edição anterior do Café com Serifa em junho

E para justificar o "café" no nome, os designers Mônica de Souza e Bruno Abatti apresentam o projeto Cafezinho, que divuga a cultura do café especial. Primeiro, eles circulavam pela cidade com um estande da bebida, mas a vontade de criar fez a dupla produzir pôsteres e camisetas. 

A agenda conta ainda com sorteio de brindes e anúncios das novidades do mundo das letras. O Café com Serifa é gratuito, informal e aberto. 


Café com Serifa - 6ª edição

Encontro de type design, caligrafia, lettering e afins
Programação:
  • Apresentação do Santa Tipografia 
  • Apresentação do projeto Cafezinho, de Bruno Abatti e Mônica de Souza 
  • Caderno coletivo (cada pessoa tem uma página para escrever ou desenhar uma letra) 
  • Sorteio de brindes 

26 de agosto de 2017, sábado, às 15h
Tralharia - Rua Nunes Machado, 104, Centro · Florianópolis, SC (mapa)
Entrada gratuita
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Encontro de interessados em caligrafia, type design e lettering, o Café com Serifa chega à quinta edição neste sábado, em novo local. Desta vez, será no Tralharia, mistura de antiquário, café e cervejaria no Centro de Florianópolis. A proposta do evento é ser um espaço informal para conversas e colaborações entre praticantes de letras.

Ideia é ter artistas diferentes para os cartazes das próximas edições. Este, com lettering digital, foi feito por mim

Nesta edição, os designers Nicole Castro e Rafael Hoffmann apresentam o projeto Pintores de Letras, que documenta o ofício de letristas populares em muros e fachadas do sul de Santa Catarina. A dupla inicia a produção de um documentário em breve, viabilizado por financiamento coletivo.

Profissionais que fazem os letreiros do pequeno comércio são tema do projeto Pintores de Letras

O Ateliê Hodie se destaca pelo refinamento nos artigos de papelaria, que evocam o universo dos criadores Lese Pierre e Mariah Dias. A proposta foi apresentada ao público pela primeira vez na feira Parque Gráfico, no fim de maio. Agora, eles vão detalhar o conceito por trás da coleção, incluindo as escolhas tipográficas.

Cartões do Ateliê Hodie. Imaginário permeia toda a linha da marca

O caderno colaborativo inaugurado na edição anterior vai circular de novo. Cada participante tem uma página para fazer uma letra com qualquer material ou técnica. Quando for completado, o plano é digitalizá-lo para publicação online.

O Café com Serifa é aberto e tem entrada gratuita.


Café com Serifa - 5ª edição

Encontro de type design, caligrafia, lettering e afins
Programação:
  • Apresentação do projeto Pintores de Letras, por Nicole Castro e Rafael Hoffmann
  • Apresentação do Ateliê Hodie, por Lese Pierre e Mariah Dias
  • Caderno coletivo (cada pessoa tem uma página para escrever ou desenhar uma letra)
  • Sorteio de brindes
3 de junho de 2017, sábado, às 15h
Entrada gratuita

Evento para profissionais e amadores das artes das letras, o Café com Serifa tem nova edição nesta quarta, 15, em Florianopólis. Um dos destaques é o lançamento do número 16 da Café Espacial, publicação independente de quadrinhos e afins, com o editor Sergio Chaves.

Quem quiser soltar o traço poderá usar o caderno que irá passar de mesa em mesa – cada pessoa terá uma página para escrever ou desenhar uma letra. O objetivo é preencher todo o volume para depois digitalizá-lo. O encontro inclui também sorteio de brindes doados pelos próprios participantes.

Calígrafos são fáceis de se reconhecer

O Café com Serifa foi criado para ser um evento informal de conversa e troca de informações entre a comunidade de caligrafia, type design e lettering, ocupações em que geralmente se trabalha sozinho. Ocorre aproximadamente a cada dois meses, com a agenda organizada coletivamente. Nas edições anteriores, já houve demonstrações de como fazer instrumentos caseiros, lançamento de uma família de fontes de letras e exposição de pôsteres em tipografia, entre outras atividades.

Café com Serifa - 4ª edição
15 de março de 2017, quarta-feira, às 19h
Coffee & Shop 18: rua Acelon Pachêco da Costa, 231, Itacorubi Florianópolis, SC (mapa)
Mantenha-se informado pelo grupo no Facebook e pela newsletter

Mary Meürer (dir.): "Floripa precisava deste momento de conversa e troca de experiências"

Interessados no desenho das letras como profissão, objeto de estudo ou expressão visual têm encontro marcado nesta quarta-feira, 7/12, a partir das 18h. É a última edição do ano do Café com Serifa – evento bimestral que reúne type designers, calígrafos, letristas e interessados.

O lançamento do livro de poesias Roubadas de um Jardim, de Jefferson Cortinove, é destaque da programação. São obras em que parte do leitura vem do arranjo do texto na página. O autor cria as próprias fontes de letras usadas no livro, como a Leftheria e a Nautikka. “Na poesia de Jefferson Cortinove, sempre houve uma preocupação para além do aspecto visual. A palavra, aqui, é fundamental, mas não se restringe apenas à composição tipográfica, campo por onde o poeta também transita”, analisa o editor Sergio Chaves.

Capa do livro Roubadas de um Jardim, de Jefferson Cortinove, que será lançado no evento

Tipos em Florianópolis

A discussão sobre Florianópolis sediar um evento de tipografia ano que vem está na agenda do Café. Mary Meürer, professora de Tipografia do curso de Design da UFSC, mantém conversas com a organização do DiaTipo – conferência realizada em várias cidades do país desde 2008. O objetivo é avaliar se é possível fazer uma edição na ilha ou ainda criar um encontro similar.

Trabalhos da PARQUE Edições também serão apresentados ao público no Café com Serifa

A PARQUE Edições também aproveita a oportunidade para mostrar seu primeiro produto: a coleção de postais tipográficos Trash Songs Brasil Anos 90. As designers Babi Carvalho e Luiza Touco, e a produtora cultura Camila Petersen estão por trás da iniciativa, que nasceu da feira Parque Gráfico. “Utilizamos hand letterings ornamentados em contraponto com as letras bagaceiras de algumas das músicas que tanto marcaram a infância da nossa geração”, explica Petersen.

Interesses comuns

A ideia que motivou a criação do Café com Serifa foi reunir pessoas com interesses comuns, mas cujo trabalho individual e especializado não favorece as interações no mundo real. "Floripa precisava deste momento de conversa e troca de experiências para integrar mais as pessoas que se interessam pelo assunto", afirma Meürer.

Uma das inspirações foi o Bistecão Ilustrado, encontro em São Paulo que juntava ilustradores de diferentes estilos, dos novatos aos veteranos do mercado, e que criou uma comunidade que até hoje se mantém nas redes sociais. É este viés que motiva Cortinove a ir ao Café com Serifa: "você tem a possibilidade de conhecer pessoas de trabalhos semelhantes e se sente mais inspirado em produzir, além de trocar informações e conhecimentos", analisa.


Café com Serifa - 3ª edição - Encontro de type design, caligrafia, lettering e afins

7 de dezembro de 2016, quarta-feira, a partir das 18h
Coffee & Shop 18: rua Professor Acelon Pacheco da Costa, 64, loja 3 · Itacorubi, Florianópolis (mapa)
Programação:
  • Lançamento do livro Roubadas de um Jardim, do type designer Jefferson Cortinove, que estará à venda
  • Lançamento dos postais tipográficos da coleção Trash Songs Brasil Anos 90 da PARQUE Edições, também à venda
  • Conversa para realizar um encontro sobre tipografia em 2017 em Florianópolis
  • Sorteio de um exemplar do livro Roubadas de um Jardim (Jefferson Cortinove), de um pack com cinco cartões tipográficos da PARQUE Edições e de uma obra em caligrafia de Ivan Jerônimo

Entrada: gratuita
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Inscreva-se na oficina Caligrafia Livre que vou dar na Faferia DNA de Artes em 26 de novembro, sábado. Começo com uma breve apresentação sobre o status da caligrafia no mundo das artes visuais e logo partimos para a prática. O participante vai treinar com vários materiais e descobrir o que dá de fazer com eles. De quebra, vamos construir dois instrumentos e aprender a usá-los.

A ideia da oficina veio de uma observação que fiz em outro curso. Depois de quatro horas de caligrafia gótica tradicional com pena e nanquim, finalizava com uma explicação sobre o tira-linhas e mostrava como montar uma versão caseira. Aí percebi o interesse dos participantes em mais diversidade de conteúdo. Essa abordagem reflete meu próprio início, quando testava instrumentos para ver no que dava. Fiz a versão de duas horas deste curso em abril e agora vamos ter mais tempo para nossas experiências.

Demonstração de caligrafia com pena e nanquim

Inscreva-se em faferia.com. Não tem pré-requisito.

Oficina Caligrafia Livre
26/11/2016 (sábado), 13h30 às 18h30
10 vagas (mínimo de 5 inscritos)
A partir de 16 anos
Valor: R$ 190
Ministrante: Ivan Jerônimo

Resumo

Uma oficina de experimentação para conhecer as possibilidades criativas de vários instrumentos de caligrafia. Vamos começar com uma demonstração dos estilos e suas ferramentas, tintas e suportes, incluindo materiais alternativos. Depois passamos à prática, em que o participante faz seu próprio instrumento e desenvolve uma obra no estilo que preferir.

Metodologia

  • A arte da caligrafia hoje: instrumentos, suportes e estilos
  • Demonstração dos materiais e seus resultados
  • Como fazer uma pena de bambu e um tira-linhas caseiro
  • Experimentação com os materiais
  • Escolha de um instrumento e tema para um trabalho final
Mais informações.
Fachada da Casa do Teatro do Grupo Armação, onde acontece a FAF. Sobrado é da metade do século 19 e provavelmente é um dos imóveis mais estreitos do Centro, com apenas 2,7 m de largura

Responsável por recuperar parte do movimento cultural do Centro, a Feira de Artes de Florianópolis (FAF) abre 30ª edição neste sábado, 15. São mais de vinte artistas que dividem os dois andares da Casa do Teatro do Grupo Armação com técnicas como gravura, desenho e pintura.

Uma das novidades é a participação dos bordados contemporâneos da crafter Carol Grilo. Eu estarei lá com trabalhos de caligrafia, alguns inéditos. Pretendo levar um conjunto autoral, de estilo mais livre. Todos os trabalhos vão estar à venda.

A FAF foi criada pelo jornalista e produtor cultural Fifo Lima em julho de 2015 para comercializar obras de arte originais diretamente com o público. A partir deste ano, passou a ser mensal. Para favorecer a variedade de linguagens, segundo Lima, a seleção é feita a partir dos trabalhos dos inscritos.

Fora da gaveta

A feira tem estimulado artistas iniciantes e conhecidos a botar o trabalho na rua e transformou o sobrado em lugar onde colecionadores, participantes e interessados se encontram para conversar e ver o que se produz de arte em Florianópolis – uma espécie de vernissage diurna. Um ano depois do início da FAF, Lima abriu um espaço permanente, chamado apropriadamente de Faferia DNA de Arte, também no Centro. 

Em setembro de 2015, participei da décima FAF, que tinha o tema artes gráficas. Já me parecia que o evento iria marcar a vida cultural na cidade. Reproduzo abaixo minhas impressões na época, que publiquei em outro site:


Coisas que se aprende em uma feira de artes

Estande de caligrafia na décima FAF (setembro de 2015)

29 de setembro de 2015 - Mostrar trabalhos artísticos em um evento é um bom aprendizado. Primeiramente, tem a reação das pessoas — elas param para olhar? Que tipo de obra chama mais a atenção?

Foi nesse espírito que aceitei o convite para expor meus trabalhos de caligrafia na Feira de Artes de Florianópolis, que eu já frequentava para ver a produção dos artistas da cidade. (…) As edições têm sido temáticas. A do dia 19, da qual participei, foi a décima e era dedicada às artes gráficas, tais como impressos, tipografia e gravura.

Além de ser um bom termômetro pra minha produção, fiz contato com os outros artistas que estavam expondo, vários deles que eu não teria achado nas rede sociais, tão cheias de distrações. Encontrar pessoas conhecidas, mas que não sabiam que eu estava metido com caligrafia, também rendeu assunto. 

Interessante foi ter conversado com ao menos três visitantes que contaram sobre um pai, avô ou tio alemão (ou descendente) que dominava a caligrafia no estilo gótico ou cursivo. Um deles me falou que o avô era quem sempre fazia os convites de casamento e outras cerimônias da família no Brasil.

Sabendo que a caligrafia ultimamente tem tido um certo componente performático, me ocorreu de levar alguns vídeos mostrando como fiz algumas obras. Deu certo: chamaram a atenção e foram um bom motivo para puxar conversa. Quem sabe da próxima vez não faço um trabalho na hora?


Nos encontramos no sábado!

Informações

30ª Feira de Artes de Florianópolis – FAF
15 de outubro de 2016, sábado, das 11 às 17h
Casa do Teatro Armação, Praça 15, 344, Centro, Florianópolis, SC
feiradeartedeflorianopolis@gmail.com
faferia.com 
Painel com artistas representados pela Faferia. Terceira obra da linha superior é caligrafia assinada por mim. Foto: Fifo Lima/Faferia

A Mosq (Feira de Artes Visuais) inicia sua segunda edição neste sábado, 3/9, no bistrô D'Acampora, em Florianópolis. Com obras de mais de 140 artistas, quase o dobro do ano passado, a feira tem o objetivo de "democratizar a arte, tornando-a acessível à contemplação e comercialização", segundo as organizadoras. A seleção inclui nomes consagrados e novos talentos, com técnicas que vão da pintura à escultura.

Meu trabalho em caligrafia que está lá foi levado pela Faferia - DNA de Arte, espaço cultural com galeria, cursos e molduraria, e uma das apoiadoras institucionais. A composição foi escrita a partir de letra da banda New Order e está ao lado de trabalhos de outros 17 artistas representados pela Faferia, muitos dos quais amigos e conhecidos.

Detalhe de caligrafia em nanquim e aquarela que está exposta na Mosq

Nove xilogravuras recentes dos meus pais, o casal de artistas Julia Iguti e Antônio Silva, também estão na mostra. Os dois fazem parte de um círculo que se formou ao redor da oficina de gravura do Centro Integrado de Cultura – CIC, sob orientação do professor Bebeto.

A Mosq segue até 11 de setembro, com visitação das 14 às 21h. A abertura é nesta sexta, 2/9, para artistas e convidados.


Mosq - Feira de Artes Visuais
3 a 11 de setembro de 2016, 14 às 21h
Entrada gratuita
Bistrô D'Acampora - SC 401 - Km 10 - Florianópolis - SC
feiramosq@gmail.com

Designers Juliana Shiraiwa e Miguel Etges analisam trabalho tipográfico

O segundo Café com Serifa tinha tudo para ficar vazio. Um encontro sobre tipografia, caligrafia e lettering em uma tarde fria e chuvosa de sábado, 20 de agosto, junto com a final de futebol masculino das Olimpíadas, não podia dar certo. Porém, aproximadamente 25 profissionais e interessados em letras provaram o contrário e assim ocupamos novamente o Coffee & Shop 18. E com uma programação maior que a da edição anterior, de iniciativa dos próprios participantes.

Enquanto o primeiro encontro teve demonstrações de materiais de caligrafia, este segundo foi dedicado à tipografia. Mary Meürer, professora do curso de Design da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e coordenadora do blog Tipos&Textos, organizou mostra com 12 cartazes da conferência de 2015 da Association Typographique Internationale – ATypI, que ocorreu em São Paulo. Designers e oficinas tipográficas foram chamados para criarem os pôsteres, que depois compuseram a exposição Letterpress Reloaded! e foram distribuídos aos inscritos. 

Exposição de cartazes impressos em tipografia para conferência da ATypI. Em primeiro plano, o exemplar criado pelo curso de Design da UFSC

Um dos cartazes veio de Florianópolis. Orientados por Meürer, alunos do curso de Design da UFSC criaram uma peça usando tipos de MDF cortados a laser, também expostos no café. A Imprensa Universitária, que ainda mantém uma tipografia, cuidou da impressão. Os pôsteres foram emprestados pela própria Mary Meürer e pelos designers Maíra Woloszyn e Renato Cardoso

Lançamento de fonte 

Para compensar a concorrência com o jogo da seleção, a data proporcionou uma coincidência a nosso favor. Uma semana antes, o type designer Jefferson Cortinove havia lançado a Kareemah, uma família tipográfica sem serifa, com 16 variações, ligaduras e todo o conjunto de caracteres das línguas ocidentais. Convidei-o a apresentar o projeto no Café com Serifa. 

Type designer Jefferson Cortinove detalha projeto de sua fonte Kareemah

Cortinove começou pedindo uma concha (o utensílio de cozinha, não a casa do molusco) ao pessoal do café e explicou que o objeto serviu de inspiração para as formas das letras. Depois, detalhou a criação dos diferentes pesos e variações, mostrou exemplos de caracteres especiais e as ligaduras. Ao todo, desenhou 800 caracteres para as variações. 

Brindes aparecem espontaneamente

Na hora do sorteio, o único item programado era o livro Esse é meu tipo, do jornalista Simon Garfield, um apanhado de ensaios e casos curiosos sobre tipografia que comprei na véspera. Mas, assim como no primeiro encontro, vieram contribuições. O Coffee & Shop 18 deu um pacote de café Grãos do Brasil, variedade bourbon amarelo, Cortinove providenciou um download da família completa da Kareemah e Mary Meürer doou um exemplar do cartaz da UFSC. 

Conversas e novos projetos

Outras áreas do design também são assunto de conversa. Na mesa ao fundo, tipos usados na produção do cartaz da UFSC

O objetivo do Café com Serifa é ser um encontro para a comunidade que trabalha ou se interessa por letras. A programação é sempre aberta – a ideia é que cada edição seja construída pelos próprios participantes. Ter eventos interessantes e ver as mesas cheias de pessoas conversando, algumas que até então não se conheciam, prova que estamos acertando.

O próximo encontro será à noite, em um dia de semana. O plano é continuar intercalando entre tardes e noites a fim de dar chance a todos. Para ficar sabendo das próximas edições, entre no grupo do Facebook e inscreva-se para receber o boletim. Nos vemos daqui a dois (ou três) meses!

Carol Grilo é conhecida pelos acessórios feitos a mão para sua marca, a FofysFactory. Há alguns anos, ela também desenvolve um trabalho autoral em bordado com abordagem contemporânea. É esta produção paralela que vai estar na exposição Torrado Coado Bordado que abre próximo sábado (12/8), no Coffee & Shop 18, em Florianópolis.

São peças com o tema de café, em que Carol combina imagens e frases usando a linguagem visual da ilustração e do design gráfico. Os onze trabalhos, feitos especialmente para esta exposição, foram desenvolvidos no período de um ano e refletem uma linha criativa que a autora vem perseguindo desde então.

Letras cursivas

Versões das palavras "café" e "100% arábica" escritas a pincel

Na época em que preparava as obras, a artista teve a ideia de bordar palavras a partir de caligrafias. Com um calígrafo em casa, foi fácil. Ela me pediu dois escritos, ambos em estilo cursivo: "café" e "100% arábica" (espécie de café mais cara e com sabor menos amargo). Peguei o pincel, fiz vários ensaios com nanquim e ela escolheu quais seriam traduzidos em linha e tecido. A área ao redor das letras ganhou tons de marrom. O interior ficou sem preenchimento, aproveitando o espaço negativo.

Café: bordado originado de uma caligrafia. Marrom, como sugere o tema

Mudança de atitude

Carol Grilo faz parte de uma nova geração de artistas que transforma artes tradicionalmente femininas e com linguagens visuais arraigadas. "Hoje artistas plásticos e crafters transmitem mensagens de nosso tempo através do bordado, que geralmente estávamos acostumados a ver em desenhos ingênuos", afirma.

Os trabalhos em exposição estão à venda.


Exposição Torrado, Coado, Bordado
Abertura: 12 de agosto, sexta-feira, às 19h
Visitação: de 12 de agosto a 2 de setembro, de segunda à sexta, das 8h30 às 19h
Onde: Coffee & Shop 18: rua Professor Acelon Pacheco da Costa, 64, loja 3 · Itacorubi, Florianópolis

Há cerca de um ano, tive a oportunidade de criar um painel de caligrafia diferente. Foi uma obra temporária e, exceto por uma letra "a" no centro, sem nada escrito. Livre da exigência de legibilidade, me concentrei só na composição e pintei diretamente na parede, sem esboço. Realizei essa espécie de performance caligráfica durante o encontro de desenho Drink & Draw no Sítio, um espaço cultural na Lagoa da Conceição, em Florianópolis (SC).

Detalhe da arte. Traços foram aplicados com tinta guache e pincel

O convite veio do artista gráfico Lese Pierre, um dos organizadores do evento na época – hoje, ele é o agitador do Gag & Draw Jam, no bairro Coqueiros. Dois dias antes, fui ao Sítio conversar com ele sobre a arte. A parede é toda preta e mede cerca de dois metros quadrados. Por ser uma construção antiga, tem irregularidades que aparecem mesmo debaixo da pintura.

Minha intenção era mais convencional: compor uma frase com letras em caixa-alta (maiúsculas), combinadas com linhas horizontais da mesma espessura das letras. O objetivo era formar um bloco visualmente sólido. Para que os escritos pudessem ser apagados, usei tinta guache diluída em água. Queria uma consistência mais líquida e ao mesmo tempo opaca, mas misturei água demais. A tinta escorreu e ficou transparente.

Dois testes para a caligrafia: em cima, a arte mais convencional, com texto. Embaixo, o arranjo abstrato

Avaliando com Pierre esse primeiro ensaio, decidimos partir para algo mais abstrato. Afinal, para que desperdiçar a oportunidade de ter uma parede preta com liberdade total? Comecei a escrever formas derivadas de dois tipos de letras góticas – bastarda e fraktur – tentando formar um padrão uniforme à distância. Decidimos que esse seria o estilo da arte e apagamos tudo com pano e água.

No dia do evento, preparei a tinta com a diluição certa e usei meu pincel mais largo, de 7,6 cm. A partir da letra "a" ao centro, fui adicionando traços ao redor, atento às sobreposições e à composição geral. Dá um pouco de frio na barriga não ter esboço antes. O fato da tinta ser removível não ajudou muito – se eu errasse, quebraria a impressão de espontaneidade. Mas, uma vez que você se dá conta de que não existe "erro" e assume que as coisas podem sair do planejado, fica mais calmo. Fui devagar, pensando antes de cada traço. De vez em quando, me afastava para ter uma perspectiva mais geral.

Hora de posar com a obra ao fundo. O avental limpo atesta a habilidade do artista

No fim, deu tudo certo e ficou pronto em menos de 15 minutos. Trechos do vídeo foram parar na agenda de fim de semana do telejornal local (começa nos 17 s). O painel foi lavado no dia seguinte, mas ficou a vontade de repetir a experiência. Aprendi ainda que deixar as coisas mais soltas, com menos planejamento, pode ser interessante. 

Do lado de fora, fazia uns 10 graus. Mesmo assim, mais de 50 pessoas passaram pela porta do Coffee & Shop 18 na noite marcada para o primeiro Café com Serifa, encontro de type designers, calígrafos, letristas e afins. Em uma certa altura, era preciso abrir caminho entre os participantes para circular pelo café.

Casa cheiaParticipantes do Café com Serifa no Coffee & Shop 18

No dia do evento, 9 de junho, havia no Facebook 86 usuários confirmados e outros 170 interessados. Três veículos publicaram matérias na véspera:

  • Acontecendo Aqui, principal portal de marketing e publicidade do estado
  • Diário Catarinense, com matéria completa na edição online e nota na edição impressa
  • Notícias do Dia, com matérias no impresso e online

Apesar de todo essa agitação, calculava que apareceriam entre 20 a 30 pessoas, um número muito bom para Florianópolis. Afinal, não deve ter tanta gente que trabalha com letras aqui.

Felizmente, me enganei.

Exercitando o traçoPessoas com os mesmos interesses acabavam sentando próximos. Na foto, pessoal pratica caligrafia em uma das mesas

Graças aos crachás, em que os participantes escreviam seu nome, interesses e ocupação, deu para ter uma ideia do público. Nos quase 50 crachás usados, era possível identificar:

  • Calígrafos
  • Pessoal de lettering
  • Type designers
  • Tatuadores
  • Grafiteiros
  • Designers gráficos
  • Professores e pesquisadores
  • Estudantes
  • Curiosos
  • Baristas (afinal, é preciso justificar o nome do encontro)

Conseguimos até fazer o pessoal sair do ambiente aquecido do café e ir ao deck assistir à demonstração do pincel com madeira balsa do Lese Pierre e a minha, de tinta de extrato de nogueira. Dentro da proposta inicial, de deixar o evento aberto, houve duas surpresas: o pessoal da Pintassilgo Prints doou um catálogo de fontes para o sorteio e Jefferson Cortinove distribuiu edições da revista Café Espacial.

DemonstraçãoLese Pierre demonstra o uso de pena feita com madeira balsa

A ideia agora é fazer o próximo daqui a dois meses, em um sábado à tarde, para dar oportunidade a quem não pode ir durante a semana. Se der certo, vamos manter a periodicidade bimestral e intercalaremos entre as noites dos dias de semana e as tardes de sábado. Para ser avisado das próximas edições, cadastre-se para receber nossos emailsentre no grupo no Facebook. Sugestões são bem vindas.

Finalmente, os agradecimentos: o Café com Serifa ganhou a ajuda de várias pessoas:

As fotos que acompanham este artigo e várias outras estão neste álbum do Flickr

Pintores têm galerias, vernissages e happenings. Escritores contam com tardes de leituras e noites de autógrafos. Jornalistas, nem se fala. Já calígrafos e tipógrafos raramente têm eventos para fazer uma social.

Para mostrar que a classe não é formada por bichos-do-mato, estou organizando um encontro chamado Café com Serifa aqui em Florianópolis (SC).

A ideia é juntar:

  • Calígrafos
  • Type designers e tipógrafos
  • Letristas
  • Designers
  • Qualquer um que se interesse por letras

Trata-se de um evento informal, aberto e gratuito. Teremos uma programação básica para dar o primeiro empurrão:

  • O artista visual Lese Pierre, que também está por trás do Café com Serifa, vai ensinar a fazer um pincel com madeira balsa e mostrar como usou essa ferramenta em seu último projeto.
  • Eu vou passar a receita da tinta de extrato de nogueira, mostrar o efeito que ela dá e sortear um vidrinho.

Quando comecei a praticar caligrafia com mais frequência, não sabia de nenhum outro praticante na cidade. Só depois que botei meu trabalho na rua é que fui conhecer outros designers e artistas que desenvolvem um trabalho ligado às letras.

Colegas com quem eu comentei sobre o plano de fazer um encontro reagiram com entusiasmo. A maior inspiração é o Bistecão Ilustrado, encontro de ilustradores que começou em São Paulo e se espalhou por outras cidades. Aqui tivemos uma versão local, o Berbigão Ilustrado, em 2007. Também tomei emprestado do pessoal de programação o conceito de desconferência, tipo de evento colaborativo que deixa as coisas livres para acontecerem. 

Outra peça importante é o Coffee & Shop 18, que sempre apoia iniciativas culturais. É o local onde fiz duas exposições de caligrafia e, não por coincidência, um dos donos é designer e aficionado por tipografia. 

Agora que tudo está acertado, basta chamar quem poderia se interessar e isso inclui você. Topas? 

Serviço

Café com Serifa · Encontro de calígrafos, tipógrafos, letristas e afins.
9 de junho de 2016, quinta, a partir das 19h.
Entrada gratuita.
Onde: 
Coffee & Shop 18.
Rua Professor Ayrton Roberto de Oliveira, 64 - Itacorubi, Florianópolis - SC.
Veja o evento do Café com Serifa no Facebook.

Visitantes e expositoresExpositores no segundo dia do Parque Gráfico no Museu da Escola Catarinense

Analisando o Parque Gráfico depois de toda a correria, não dá para negar que foi um sucesso. O Museu da Escola Catarinense, em Florianópolis, ficou cheio nos três dias e a organização caprichou na seleção dos expositores. Definitivamente, existe público para arte impressa e publicações independentes de todo o tipo, incluindo aí meus trabalhos de caligrafia.

Na sexta, vieram visitantes que já estavam pelo Centro ou tinham acabado de sair do trabalho. Sábado foi o dia com mais movimento, como era esperado. No domingo, ainda muita gente – ganhamos do tempo chuvoso e da macarronada com a família.

A feira também teve boa cobertura na imprensa local. Saíram matérias no Notícias do Dia e no Diário Catarinense (neste até recebi destaque na versão online).

Ao trabalho!Minha mesa já montada com os trabalhos de caligrafia no primeiro dia do Parque Gráfico

Foi a melhor feira de que participei até agora. Não fiquei sentado mais de 15 minutos seguidos. Estava sempre conversando com alguém e quase perdi a voz. Porém, foi preciso se preparar. No meu caso, fiz séries novas especialmente para o Parque Gráfico e selecionei obras do meu arquivo que mostravam bem os vários estilos que faço. Quando se é convidado a participar de um evento, é bom investir energia nisso.

Conversar com os visitantes e observar o que teve mais saída impõe uma reflexão sobre seu próprio trabalho. Descobri que as frases que escolho para fazer as obras de caligrafia encontram eco nas pessoas. Sinal de que posso manter essa abordagem meio sarcástica e continuar usando referências menos comuns.